quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Rapper e professor do Grajaú 



sonha em



deixar São Paulo mais justa


Voluntário desenvolve projetos culturais na periferia da cidade.
Perfil de Robson Oliveira é parte da história da cidade.

Lívia MachadoDo G1 São Paulo
3 comentários
Robson cresceu e vive no Grajaú, Zona Sul da cidade, e uma das áreas mais violentas de São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)Robson cresceu e vive no Grajaú, Zona Sul da cidade, e uma das áreas mais violentas de São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)



Aos 13 anos, Robson Martins de Oliveira compôs seu primeiro rap. Dois anos depois, foi levado por um amigo, ex-interno da Febem, hoje rebatizada de Fundação Casa, até o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) de Interlagos, ONG que atua na região, para se apresentar. Após cantar, foi convidado para trabalhar como estagiário da instituição. Entre projetos sociais e musicais voltados para a comunidade, conheceu as obras de Paulo Freire, e percebeu que tinha vocação para ensinar. Nascido em São Paulo em 1984, morador da periferia (Grajaú), Formado em Pedagogia pela Faculdade Sumaré no ano 2008, concluiu seu curso com a Pesquisa "Hip Hop como Cultura, Movimento Social e Prática de Educação Popular",atualmente além de MC/Compositor também atua como professor da rede pública de São Paulo.
Ter crescido numa comunidade violenta me fez ter sacadas na vida que eu não teria se tivesse nascido em outro local. Eu sinto que vou trair esse lugar se eu for embora daqui"
Robson Martins de Oliveira, professor e rapper
 “Sou um educador que cresceu no Grajaú e consegue atuar aqui. Tem uma molecada que precisa caminhar certo porque eles vêm na sombra. Pessoal de 15, 16 anos.”
Desde que começou na área, desenvolve projetos que promovem cidadania e integração social. Adaptou as teses de Paulo Freire à cultura do hip hop. “O que faço é instrumentar as pessoas contra as arbitrariedades do sistema. Discutir como a comunidade pode ser segura, limpa, iluminada para se defender. São praticas de organização popular”, explica ele.
Junto com a equipe da biblioteca do CEU criou o sarau “Quinta em movimento”, evento que acontece toda primeira quinta-feira do mês na quadra da caixa d'água, local conhecido na região e que já abrigou uma escola de samba. O projeto nasceu anual em 2009, e virou mensal a partir de 2011.
“A ideia é fomentar a prática de leitura. Sempre convidamos um autor em evidência, um tema e uma banda residente. A banda toca musicas, e os participantes podem se oferecer pra cantar, recitar. Fazemos leituras de filmes, discutimos sobre música também. Cada edição aborda um assunto.”
Rapper e educador se inspirou no escritor Paulo Freire (Foto: Arquivo pessoal)Rapper e educador se inspirou no escritor
Paulo Freire (Foto: Arquivo pessoal)
Oliveira se define como um professor polivalente. Criado e nascido no Grajaú, ele revela que jamais deixaria a região. Para ele, seu coração muda de compasso ao passar pela Ponte do Socorro, uma espécie de cruzamento da Avenida Ipiranga com a São João para o rap. “Ter crescido numa comunidade violenta me fez ter sacadas na vida que eu não teria se tivesse nascido em outro local. Sinto que vou trair esse lugar se for embora daqui.”
O carinho não é limitado à região. “Apesar das desigualdades e opressões, não me vejo em outra cidade. Sinto que tenho voz em São Paulo.” A boa relação com a cidade, entretanto, não enfraquece a crítica. “Meu trabalho é tentar arrumar essa casa que é São Paulo. Uma casa que tem muita gente que não lava a louça, recebe pra cuidar do jardim e não cuida. Há muito para ser feito”.

5 comentários:

  1. Robsoul tem um belissímo trabalho entre os jovens ele entra no mundo destes adolescente através da música, assim ele consegue trazer muitos jovens desanimados com a educação tradicional e muda esta visão com seu novo jeito de ensinar. A educação esta muita falha no Brasil porém com profissionais dedicados e focados no aluno faz com que muitos jovens "perdidos" se encontrem novamente na escola.

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  2. Robson Martins de Oliveira é um exemplo de que a cidadania pode ser construída independente das dificuldades o sistema coloca para tentar minar a reflexão das minorias.Além de sua determinação podemos notar uma gratidão pelo que a vida lhe proporcionou, quando tendo a oportunidade de estudar ele escolheu direcionar seus conhecimentos a mesma região que lhe acolheu. Tornando-se assim mais uma possibilidade na vida de muitos que por viverem marcados pela desigualdade sequer conseguem sonhar com um futuro diferente. Um futuro onde lhes seja possível estar ali e morar ali não por opressão mas por opção. Não por omissão de uma política que os ignora mas movidos pela vontade de multiplicar o acesso a informação que outrora tiveram.

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  3. O amor pela cidade de São Paulo, sua determinação para alcançar seus objetivos, não se deixando levar por ter nascido em comunidade pobre, e vencendo a desigualdades que a vida lhe trouxe, esse rapaz me fez refletir um pouco mais no sentido que ainda há esperança para uma boa educação, e para um futuro diferente.

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